Ginkgo Biloba: Benefícios para Memória e Circulação, Como Preparar o Chá e o Que Diz a Ciência
🌿 Resposta rápida O Ginkgo biloba é uma das árvores mais antigas do planeta e uma das plantas medicinais mais estudadas do mundo, tradicionalmente associada à memória, à concentração e à circulação sanguínea cerebral. Uma revisão sistemática recente da Cochrane, uma das organizações mais respeitadas em revisão de evidências médicas, encontrou efeitos modestos sobre a cognição, as atividades do dia a dia e a função global em pessoas com declínio cognitivo leve, um resultado mais cauteloso do que a fama popular do ginkgo sugere, mas ainda assim relevante. Neste artigo, você vai entender o que a ciência realmente confirma, como preparar o chá e os cuidados necessários no consumo.
Neste artigo você vai aprender
- O que é o Ginkgo biloba
- Compostos ativos
- Principais benefícios
- O que dizem os estudos científicos
- Como preparar o chá
- Contraindicações
- Perguntas frequentes
Introdução
Poucas plantas carregam um título tão impressionante quanto o Ginkgo biloba: ele é considerado um “fóssil vivo”, a única espécie sobrevivente de uma família de árvores que existia há mais de 270 milhões de anos, antes mesmo dos dinossauros. Além da longevidade impressionante, algumas árvores de ginkgo têm mais de mil anos, essa planta é uma das mais vendidas como suplemento para memória e concentração no mundo todo.
Mas será que o ginkgo realmente faz o que promete? Neste artigo, vamos apresentar os benefícios com respaldo científico, incluindo os resultados mais recentes e criteriosos sobre seu efeito na memória, sem exagerar nem desmerecer o que a pesquisa já mostrou.
O que é o Ginkgo biloba?
O Ginkgo biloba é uma árvore de folhas caducas, com folhas em formato de leque características, que ficam douradas no outono. É nativo da China, onde é cultivado há milhares de anos, tanto por seu valor ornamental quanto medicinal. A parte usada com fins medicinais são as folhas, das quais se extrai o composto padronizado conhecido como EGb 761, usado na maioria dos estudos científicos sobre a planta.
| Informação | Descrição |
|---|---|
| Nome científico | Ginkgo biloba L. |
| Família botânica | Ginkgoaceae (única espécie viva da família) |
| Nomes populares | Ginkgo, gincobiloba |
| Origem | China |
| Parte utilizada | Folhas |
| Tipo de planta | Árvore caducifólia |
| Longevidade | Pode viver mais de mil anos |
| Extrato padronizado usado em estudos | EGb 761 |

🌱 Dica do Momento Chá O ginkgo é conhecido por ser extremamente resistente: sobreviveu até mesmo próximo ao epicentro da bomba atômica de Hiroshima em 1945, e algumas dessas árvores continuam vivas até hoje.
Principais Compostos Ativos
- Flavonoides (ginkgoflavonoides) – compostos antioxidantes que ajudam a neutralizar radicais livres nos tecidos, incluindo o tecido nervoso.
- Terpenoides (ginkgolídeos e bilobalídeos) – substâncias exclusivas do ginkgo, associadas à melhora da circulação sanguínea e a efeitos neuroprotetores observados em estudos de laboratório.
- Ginkgolídeo B – tem ação antagonista sobre o fator ativador de plaquetas (PAF), o que explica seu efeito sobre a fluidez do sangue.
Benefícios
🧠 1. Suporte à cognição em declínio cognitivo leve e demência
Esse é o benefício mais estudado do ginkgo. Uma revisão sistemática Cochrane, publicada em 2026, reavaliou décadas de estudos e encontrou efeitos modestos, porém consistentes, sobre a cognição, as atividades da vida diária e a função global em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência. É importante destacar que essa mesma revisão, em sua versão anterior, de 2009, não havia encontrado esse benefício o que mostra como a ciência vai se refinando com o tempo, e reforça uma expectativa realista: os efeitos existem, mas são modestos, não uma solução milagrosa.
🩸 2. Circulação sanguínea cerebral
Os terpenoides do ginkgo têm ação vasodilatadora e reduzem a viscosidade do sangue, o que pode melhorar o fluxo sanguíneo para o cérebro. Tradicionalmente, esse mecanismo é associado ao alívio de tontura e zumbido no ouvido relacionados à má circulação, embora as evidências para esses usos específicos ainda sejam limitadas.
🛡️ 3. Ação antioxidante e neuroprotetora
Estudos de laboratório e em animais mostram que os flavonoides do ginkgo ajudam a proteger os neurônios do estresse oxidativo, um dos mecanismos associados ao envelhecimento cerebral. Esses achados embasam boa parte do interesse científico pela planta, embora a tradução para benefícios claros em humanos saudáveis ainda seja objeto de debate.
🦵 4. Circulação periférica
Alguns estudos associam o ginkgo à melhora de sintomas de claudicação intermitente (dor nas pernas ao caminhar, por problemas de circulação), com resultados modestos, mas observados em ensaios clínicos controlados.
O que diz a ciência sobre o Ginkgo biloba?
O ginkgo é uma das plantas medicinais mais pesquisadas do mundo e também uma das mais controversas. Por décadas, ele foi vendido como um “potencializador de memória” praticamente universal, mas revisões sistemáticas mais rigorosas mostram um quadro mais equilibrado.
A revisão Cochrane mais recente sobre ginkgo e comprometimento cognitivo, publicada em 2026, é uma referência importante: diferente da versão de 2009, que não encontrou benefício, a atualização identificou efeitos modestos em cognição, atividades diárias e função global em pessoas com declínio cognitivo leve ou demência. Isso não significa que o ginkgo “cura” ou “previne” essas condições, mas indica um efeito real, ainda que discreto, quando usado com o extrato padronizado e por tempo prolongado.
Já em pessoas saudáveis, sem qualquer declínio cognitivo, as evidências de melhora na memória ou concentração são mais fracas e inconsistentes entre os estudos. Isso ajuda a explicar por que o ginkgo funciona melhor como um possível apoio para quem já apresenta algum grau de declínio, e não necessariamente como um “estimulante cerebral” para qualquer pessoa.

🌾 Você Sabia? A maioria dos estudos científicos sobre o ginkgo não usa a folha crua ou o chá simples, mas sim o extrato padronizado EGb 761, desenvolvido por um laboratório alemão nos anos 1970, com concentração controlada de flavonoides e terpenoides. Isso é importante para entender por que os efeitos de um suplemento concentrado podem ser diferentes dos de um chá caseiro.
Nível atual das evidências
| Aspecto | Avaliação |
|---|---|
| 🧠 Declínio cognitivo leve / demência | 🟢 Efeito modesto, mas confirmado por revisão Cochrane 2026 |
| 🧑 Cognição em adultos saudáveis | 🟡 Evidências fracas e inconsistentes |
| 🩸 Circulação cerebral | 🟡 Mecanismo bem descrito, efeito clínico variável |
| 🦵 Circulação periférica (claudicação) | 🟡 Efeito modesto em alguns estudos |
| 🍵 Estudos específicos sobre o chá tradicional | 🔴 Muito limitados (maioria usa extrato padronizado EGb 761) |
| ⚠️ Mais pesquisas são necessárias | ✅ Sim, especialmente comparando doses e formas de uso |
💡 Importante A grande maioria dos estudos científicos usa o extrato padronizado EGb 761, com concentração controlada de compostos ativos — não o chá caseiro feito com folhas secas. Isso não invalida o uso tradicional, mas explica por que os efeitos do chá podem ser mais discretos do que os relatados nos estudos com extrato concentrado.

Como preparar o chá de Ginkgo biloba
Ingredientes
- 1 colher de chá de folhas secas de Ginkgo biloba
- 1 xícara (200 ml) de água
Modo de preparo
- Ferva a água.
- Despeje sobre as folhas de ginkgo em uma xícara.
- Deixe em infusão por 8 a 10 minutos.
- Coe antes de consumir.
Como consumir
O chá de ginkgo pode ser consumido uma a duas vezes ao dia. Os efeitos, quando existem, tendem a aparecer apenas após semanas de uso contínuo — não é uma planta de efeito imediato. Suplementos com extrato padronizado devem seguir a dosagem indicada na embalagem ou a orientação de um profissional de saúde.
Contraindicações
O Ginkgo biloba exige cautela especial para:
- Pessoas em uso de medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários, já que o ginkgo pode potencializar o efeito desses medicamentos e aumentar o risco de sangramento;
- Pessoas que farão cirurgia em breve, pelo mesmo motivo relacionado à coagulação;
- Gestantes e lactantes, pela falta de estudos de segurança conclusivos;
- Pessoas com histórico de convulsões, já que sementes de ginkgo (não as folhas) contêm uma substância associada a esse risco, embora em concentração muito menor nas folhas usadas para chá e extratos.
Interações medicamentosas
O ginkgo pode interagir com:
- Anticoagulantes e antiagregantes plaquetários (varfarina, aspirina, entre outros), pelo possível efeito somado sobre a coagulação;
- Anti-inflamatórios não esteroides, pelo mesmo motivo;
- Alguns antidepressivos e anticonvulsivantes, com possíveis interações que exigem acompanhamento profissional.
Nunca interrompa um tratamento prescrito para substituí-lo por plantas medicinais sem orientação adequada.

⚠️ Importante: As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por profissionais de saúde. Se os sintomas persistirem ou piorarem, procure orientação médica.
Perguntas frequentes sobre o Ginkgo biloba
Ginkgo biloba realmente melhora a memória?
Em pessoas com algum grau de declínio cognitivo, revisões científicas recentes encontram um efeito modesto, mas real. Em pessoas saudáveis, sem declínio cognitivo, as evidências são mais fracas e inconsistentes.
Posso tomar chá de ginkgo todos os dias?
Sim, o consumo moderado (uma a duas xícaras ao dia) costuma ser considerado seguro para a maioria das pessoas, exceto para quem usa anticoagulantes ou tem outras contraindicações específicas.
Ginkgo faz efeito rápido?
Não. Os estudos que encontram algum benefício geralmente usam o extrato por várias semanas ou meses antes de observar efeito, não é uma planta de ação imediata.
Ginkgo tem contraindicação? Sim, principalmente para quem usa medicamentos anticoagulantes, vai passar por cirurgia, ou está grávida ou amamentando. Consulte a seção de contraindicações para mais detalhes.
Conclusão
O Ginkgo biloba é uma das plantas medicinais mais estudadas do mundo, com um histórico de uso milenar e uma reputação quase lendária como “erva da memória”. A ciência mais recente e criteriosa mostra um quadro mais equilibrado: efeitos modestos, porém reais, em pessoas com declínio cognitivo leve, e evidências mais fracas para uso em pessoas saudáveis. Como sempre, gestantes, pessoas que usam anticoagulantes e quem tem cirurgia agendada devem buscar orientação profissional antes de consumir o ginkgo com regularidade.
Importante: plantas medicinais também podem causar efeitos adversos e interagir com medicamentos. Em caso de dúvida, procure orientação de um profissional de saúde.
Fontes consultadas
- Ginkgo biloba serve para alguma coisa? Questão de Ciência — https://revistaquestaodeciencia.com.br/artigo/2026/04/10/ginko-biloba-serve-para-alguma-coisa
- Ginkgo biloba e memória: mito ou realidade? Revista de Psiquiatria Clínica (SciELO) — https://www.scielo.br/j/rpc/a/6YfLPGpznwFFHDhLwTtG9tN/?lang=pt
- O uso de Ginkgo biloba para o tratamento de distúrbios neurológicos: uma revisão integrativa. Realize Editora — https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/41223